Mora nos Clássicos: Conheça Um dos Maiores Colecionadores de Carros Antigos

Carros & Motos Histórias - 27 de setembro de 2016

Na página da Federação Brasileira de Veículos Antigos, o calendário de eventos contabiliza 130 reuniões de pessoas que se juntam em torno de autos clássicos. Ocorrem em todo lugar. Vão desde o 5º Encontro de Veículos Antigos de Taió, em Santa Catarina, ao 8º Guararema Classic Cars, em São Paulo. Incluindo na conta os informais, organizados no boca a boca, devem chegar aos 200, talvez 300, por ano.

Muito desse movimento se deve a Og Pozzoli. Se os dicionários do futuro vierem com uma imagem ao lado da palavra, a dele corresponderá a “antigomobilismo”, que é o culto aos carros clássicos.

Natural do Rio de Janeiro, foi criado em Natal e se mudou para São Paulo em 1956, aos 26 anos. Em 1958, um Lincoln Continental 1948 inaugurou a coleção, que até a última contagem reunia 170 veículos. Seu acervo é considerado um dos 10 melhores do mundo graças a raridades como as duas Fiat Jardineira, uma de 1912 e outra de 1914. Esta última, única no mundo, despertou a cobiça de Gianni Agnelli (1921- 2013) quando, então presidente da Fiat, visitava o Brasil para a instalação da fabricante italiana por aqui. A fortuna oferecida pela Jardineira não convenceu Og, cujo amor pelos seus carros o impede de comercializá-los.

Na vida de antigomobilista, Og já viveu momentos importantes, como dirigir o Chrysler Imperial 1920 que conduziu o papa João Paulo II em sua primeira visita ao Brasil. Na comemoração dos 70 anos da imigração japonesa, o imperador Akihito e a imperatriz Michiko vieram para cá. Enquanto acenavam nas ruas, quem dirigia era Og. Nas quase seis décadas de antigomobilismo, colecionou inúmeros prêmios.

Um dos mais singelos reconhecimentos veio na semana passada. Rafael Barros, 4, recebeu como lição de casa entregar um “certificado” à pessoa mais corajosa que ele conhecia. Não teve dúvidas: elegeu Og, que naquele distante ano de 1956 foi de Natal a São Paulo dirigindo um Opel P4 1937, numa viagem de 17 dias. Sem freio e com um mecânico que deveria ajuda-lo, mas bebia de noite e dormia de dia.

Murillo Cerchiari

Hoje trabalho com o que eu mais gosto e me dedico inteiramente a realizar sonhos desses apaixonados por carros clássicos.

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